Nova aliança entre PT e PSB seria vergonhosa após confronto no Recife

Nova aliança entre PT e PSB seria vergonhosa após confronto no Recife

Coluna do Diego Lagedo: O ex-presidente Lula (PT) vem buscando uma aproximação dos quadros do PSB em busca de apoio à sua candidatura presidencial em 2022. Para isso, está cogita do até chamar Paulo Câmara (PSB) para ser seu vice.

Uma reaproximação entre os dois partidos escancararia de forma cínica a hipocrisia dos petistas e socialistas, que vivem uma relação de amor e ódio na política.

Para vencer a eleição de 2006 em Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) contou com o apoio de Lula para derrotar Mendonça Filho, que concorria pelo PFL.

Já na eleição de 2012, vendo a briga interna do PT, Eduardo Campos traiu os aliados e lançou Geraldo Julio (PSB) para prefeito da capital. Com o pleito vencido pelos socialistas, os dois partidos se afastaram de vez. O PSB procurou se aproximar dos partidos de centro e centro-direita, enquanto o PT cortou os pesados investimentos que Eduardo vinha atraindo para Pernambuco.

Veio a eleição de 2014 e Eduardo Campos se lançou candidato a presidente da República contra Dilma Rousseff, mas não viveu o suficiente para efetivar a candidatura. Disputou Marina Silva (Rede) em seu lugar, que sofreu duras críticas tanto do PT como do PSDB, vindo a desidratar até o dia da eleição, que perdeu.

Preocupado com a reeleição de Paulo Câmara em Pernambuco, o PSB viria a se aliar novamente com o PT. Enquanto os petistas apoiaram Paulo no estado, os socialistas apoiaram Haddad (PT) para presidente. Cenário perfeito para ambos.

Chegando as eleições de 2020, foi o PT que rompeu com o PSB para seguir um projeto nacional que visava eleger o máximo de prefeituras nas capitais do Brasil. Não elegeu nenhuma, mas deixou um grande racha no Recife, onde os primos João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT) protagonizaram uma campanha marcada por ataques mútuos. O herdeiro de Eduardo levou a eleição.

Não causa surpresa observar que Lula não mostrou o mínimo de pudor ao procurar o PSB novamente e buscar o seu apoio para a eleição presidencial de 2022. Para ele, o seu próprio projeto é a única coisa que sempre importou.

O socialista Beto Albuquerque, que foi o candidato a vice de Marina em 2014, disse: “O PT tem uma máxima: ‘é cada um por si, mas todos por mim’”. A verdade é que PT e PSB se merecem!


PP: O deputado Eduardo da Fonte, que é presidente do Progressistas em Pernambuco, elogiou as gestões de Paulo Câmara e João Campos na pandemia e disse que Paulo deve conduzir o processo da eleição de 2022 na base do Governo. A fala é uma indireta para Geraldo Julio, que tenta tomar o protagonismo no partido para alavancar sua candidatura, mas que já se deparou com governistas lançando o nome do secretário Zé Neto para o Governo.

Bolsonaro: Em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, Bolsonaro preferiu não comentar a decisão do STF que anulou as condenações de Lula, mas disparou: “Pelo amor de Deus, o povo que, por ventura, vote em um cara desse, é um povo que merece sofrer”.

DEM: Os deputados Fernando Filho, Antonio Coelho e Priscila Krause se reuniram com o presidente estadual do Democratas para debater sobre a eleição de 2022. O DEM pretende fazer pelo menos dois federais, Mendonça e Fernando Filho, e ampliar a bancada de estaduais, que hoje conta com Priscila Krause, Antonio Coelho e Gustavo Gouveia.

Camaragibe: Após o Ministério Público de Contas pedir abertura de auditoria para apurar se houve nepotismo cruzado na nomeação do marido da deputada Gleide Ângelo (PSB) como secretário adjunto em Camaragibe, a prefeita Nadegi o exonerou do cargo.


Diego Lagedo é historiador e especialista em Gestão Pública. A sua coluna aborda temas políticos e é publicada de segunda a sábado.

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula/Divulgação

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