O fim deprimente de João Dória na política brasileira

O fim deprimente de João Dória na política brasileira

Coluna do Diego Lagedo: João Dória (PSDB) era um empresário e comunicador conhecido e que alcançava projeção nacional antes de disputar a primeira eleição, mas suas conexões na política eram mais antigas. Suas empresas já firmavam contratos com o Governo de São Paulo e seu pai havia sido deputado federal pela Bahia, o que lhe facilitou o caminho empresarial e na política.

Dória conseguiu tirar Fernando Haddad (PT) da Prefeitura de São Paulo, vencendo a eleição de 2016 no primeiro turno com 53,29% dos votos. Porém, não ficou muito tempo na cadeira de prefeito, tendo saído para disputar o Governo de São Paulo em 2018. Nessa ocasião, ele lançou mão do slogan “Bolso-Dória” para atrelar seus votos aos do presidente Jair Bolsonaro.

Mal sentou na cadeira de governador, Dória já mostrou que sua ambição não tinha limites e rompeu com Bolsonaro, tendo se tornando um dos maiores críticos do presidente da República. No fundo, a intenção de Dória era fazer seu nome crescer para disputar a Presidência em 2022.

No meio do caminho, surgiu a Pandemia da Covid-19 e Dória procurou sempre seguir o caminho contrário ao de Bolsonaro. Enquanto o presidente se mostrava relutante quanto às novas vacinas e o isolamento social, Dória apostou precocemente na Coronavac e impôs um forte Lockdown em São Paulo.

O resultado é que a popularidade de Bolsonaro oscilou na Pandemia, já a rejeição de João Dória bateu níveis cósmicos. Porém, há um outro fator que também explica a derrocada de Dória: o eleitor não costuma ver a traição com bons olhos.

Da mesma forma que Sérgio Moro pensou que poderia ser presidente da República ao romper com Bolsonaro, Dória, que se elegeu usando a imagem do presidente, não conseguiu fugir da pecha de oportunista, o que lhe fechou as portas junto ao eleitorado conservador.

Com um péssimo desempenho nas pesquisas, o próprio PSDB obrigou Dória a desistir da disputa pela Presidência e é possível que, pela primeira vez desde a fundação do partido, os tucanos não terão um representante na disputa pelo mais alto cargo da República Federativa do Brasil.

Não há mais caminho para João Dória na política brasileira a não ser o da insignificância e do esquecimento. Essa história serve de lição para qualquer um que queira ascender eleitoralmente no país.


Dória: O ex-governador de São Paulo deixou uma mensagem para os seus seguidores após a desistência: “Saio da disputa à presidência com o coração ferido, mas com a alma leve. Seguirei como observador sereno do meu País. Sempre à disposição de lutar a guerra para a qual eu for chamado. Na vida pública ou na vida privada. Que Deus proteja o Brasil. Muito obrigado e até breve”.

Bolsonaro: Pelas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro ironizou a desistência de João Dória: “Comunico que estou abrindo mão da disputa do cinturão dos pesos médios no UFC. Boa tarde a todos!”, disse Bolsonaro. A mensagem de Bolsonaro faz piada ao afirmar que ele está desistindo de algo que nunca esteve ao seu alcance.

Moro: O ex-ministro da Justiça Sérgio Moro deixou uma mensagem de apoio a Dória: “O ex-Governador Doria anunciou sua saída da disputa presidencial. Lembro em particular do nosso trabalho conjunto, Ministério da Justiça e Governo de São Paulo, para isolar as lideranças do PCC em presídios federais. Doria tem méritos na vida pública”.


Diego Lagedo é historiador e especialista em Gestão Pública. A sua coluna aborda temas políticos e é publicada de segunda a sábadosendo replicada em diversos blogs de Pernambuco.

Foto: divulgação.