Pré-candidatos buscam a polarização na eleição para o Governo de Pernambuco

Pré-candidatos buscam a polarização na eleição para o Governo de Pernambuco

Coluna do Diego Lagedo: Nesse período de pré-campanha, já é possível observar qual estratégia cada pré-candidato irá adotar na disputa pelo Governo de Pernambuco. Dentre os principais nomes, há aqueles que pretendem defender Lula contra Bolsonaro, há os que irão defender Bolsonaro contra Lula e o PSB, há também os que irão focar apenas no contexto estadual contra o PSB e há os socialistas, que terão que enfrentar todo mundo.

Em primeiro lugar nas pesquisas até o momento, Marília Arraes (SD) se apresenta como a verdadeira representante de Lula no estado. Ela saiu do PT para poder disputar o Governo mas pode-se dizer que o PT não saiu dela. Para manter os votos de esquerda, Marília deve se colocar ao lado da imagem de Lula, contra Bolsonaro e apontar as contradições do PSB na relação conturbada com o PT.

Com o apoio oficial do presidente Jair Bolsonaro e tendo o ex-ministro Gilson Machado (PL) na sua chapa, Anderson Ferreira (PL) deve, invariavelmente, trabalhar a imagem do presidente para chegar ao segundo turno. Em um primeiro momento, Anderson adotou uma estratégia mais ampla, buscando voar abaixo do radar para conquistar mais votos do centro ou até da centro-esquerda. Porém, em um cenário com tantos pré-candidatos, já ficou evidente que o Bolsonarismo é grande diferencial na pré-campanha do ex-prefeito do Jaboatão dos Guararapes.

Raquel Lyra (PSDB) ganhou de presente o fato de não ter que montar palanque para João Dória em Pernambuco. Com isso, segue uma agenda muito mais propositiva, contando com a sua grande popularidade no agreste, mas sem deixar de apontar os erros das últimas gestões do PSB, uma estratégia parecida com a que vem sendo adotada por Miguel Coelho.

Miguel Coelho (UB) tem o histórico de ter sido aliado do presidente Jair Bolsonaro, tendo em vista que seu pai, Fernando Bezerra (MDB), foi o líder do Governo no Senado, mas com o apoio do presidente a outro candidato ele fortaleceu a estratégia de campanha estadualizada que já vinha seguindo. Sendo assim, Miguel busca construir o maior palanque da oposição, ao alcançar o máximo de apoio nos municípios, e focar suas críticas nas falhas das gestões do PSB em Pernambuco.

Por fim, Danilo Cabral (PSB) parece continuar perdido em um disputa contra tantos pré-candidatos de posicionamentos tão divergentes. Se em um primeiro momento o PSB ensaiou rotular todos como “turma do Bolsonaro”, como fez em 2018 com a “turma do Temer”, ficou mais que evidente que a estratégia não teria serventia nessa eleição e poderia até favorecer Marília Arraes, que é blindada dessa associação. O PSB segue utilizando a máquina para alavancar seu pré-candidato, mas, se não encontrar um discurso que diferencie Danilo dos demais, vai sofrer fortes críticas de todos os lados durante a eleição e pode nem chegar ao segundo turno.


Diego Lagedo é historiador e especialista em Gestão Pública. A sua coluna aborda temas políticos e é publicada de segunda a sábadosendo replicada em diversos blogs de Pernambuco.

Fotos: divulgação/reprodução.