Segundo o Blog de Jamildo, o PP está insatisfeito com o espaço que recebeu na gestão de João Campos (PSB) na Prefeitura do Recife. Na nova gestão, o partido ficou com a Secretaria de Habitação do Recife, tendo indicado Maria Eduarda Médicis Campos para a vaga.
Porém, a Secretaria de Habitação tem apenas dez cargos de segundo escalão para abrigar os quadros do partido, o que tem gerado insatisfação no PP, que é o segundo maior partido de Pernambuco, tendo a segunda maior bancada na Alepe e na Câmara do Recife, além de o terceiro maior número de prefeituras.
O PP queria ficar com a Secretaria de Saneamento, que manteve brevemente durante a campanha, mas que foi concedida ao Republicanos, de Sílvio Costa Filho. Essa perda de espaço gerou uma manifestação pública de descontentamento por parte do presidente estadual da sigla, Eduardo da Fonte (PP): “A forma como o partido foi tratado não foi como aliado. O partido foi usado”, disse em entrevista ao blog Painel CBN.
Diante da insatisfação, a Executiva municipal do PP pode se reunir ainda essa semana para debater o tema e demandar maior espaço ao novo prefeito João Campos. Caso isso não aconteça, Eduardo da Fonte não descarta que o partido rompa com o PSB no Recife e passem para a oposição com os vereadores Andreza Romero, Chico Kiko, Eriberto Rafael e Michele Collins. Porém, esse quadro é o mais improvável.
Já o PSB afirmou, em reserva, que o PP já recebeu espaço suficiente ao conquistar a primeira-secretaria na Câmara do Recife, que é uma espécie de “prefeitura” interna da casa e que ficou com Eriberto Rafael. Entretanto, Eduardo da Fonte afirmou em entrevista a Renata Bezerra de Melo que o espaço foi conquistado pelo PP pois o PSB não tinha votos o suficiente para bater chapa.
Alguns quadros do PP também fizeram coro às críticas ao espaço recebido do PSB. O líder do PP na Alepe, Clóvis Paiva, disse que “Para o PP, a pasta indicada é incompatível e não corresponde ao tamanho que hoje o partido é composto”. Já o deputado Joel da Harpa, que é mais independente, disse: “O PSB já vem desrespeitando a questão de espaços, a representatividade que hoje o PP tem. O PSB tem tratado o PP de maneira muito modesta, até porque os companheiros do PP foram fieis nesse período de eleição de João Campos”.
Porém, outros parlamentares do partido preferiram colocar panos quentes e apostaram no diálogo e na permanência do PP na base do PSB, como foi o caso de Chico Kiko e de Romero Albuquerque.
Toda pressão do PP pode resultar no recebimento de maior espaço também no Governo de Pernambuco. Os progressistas almejam conquistar a Secretaria de Desenvolvimento Agrário de Pernambuco, espaço que, assim como a de saneamento, também é ocupado pelo PT, que está em um lento processo de desembarque da base do PSB.
Apenas em um cenário de completo descaso e falta de reconhecimento do tamanho do PP na Frente Popular é que veremos um desembarque dos progressistas da base do PSB, mas é muito improvável que os socialistas permitam que isso aconteça pois prejudicaria muito o projeto estadual de 2022.
Foto: ABr.
