Iniciativa do Instituto Dimitri Andrade transforma estande da feira em espaço de inclusão, capacitação profissional e geração de renda
Adolescentes e jovens com autismo atuarão como vendedores no estande do Instituto Dimitri Andrade para a 26º Fenearte. Entre os dias 8 e 19 de julho. O projeto foi criado pela psicóloga Frínea Andrade, fundadora da instituição, com o objetivo de promover inclusão, autonomia e geração de renda para as pessoas neurodivergentes.
Pelo terceiro ano consecutivo, adolescentes e jovens atendidos pelo Instituto Dimitri Andrade atuarão como vendedores em um estande da feira por meio da metodologia de emprego apoiado. Localizado na área das Redes Sociais, estande nº 569, próximo à praça de alimentação, o espaço funcionará como uma experiência prática de capacitação profissional, permitindo que os participantes desenvolvam atividades de vendas, atendimento ao público e organização dos produtos expostos.
A psicóloga Frínea Andrade, fundadora e diretora do Instituto Dimitri Andrade, explica que a proposta é ampliar oportunidades de desenvolvimento profissional para autistas por meio de experiências concretas de trabalho. “Voltaremos à Fenearte com uma ação que permite aos participantes vivenciar, na prática, atividades ligadas ao atendimento e às vendas, sempre com acompanhamento e suporte durante todo o processo. A experiência contribui para o desenvolvimento de habilidades profissionais, fortalece a autonomia e amplia as possibilidades de inserção no mercado de trabalho”, afirma.
No estande, serão comercializados abajures bordados com temática do autismo, produzidos pela artesã Jussara Albuquerque, da Faz Cúpulas. O espaço também contará com acessórios e bolsas da Edit Acessórios, marca de peças que transitam entre o estilo clássico e contemporâneo.
Segundo Frínea Andrade, a participação de parceiros é fundamental para viabilizar a iniciativa e ampliar seu impacto social. “A parceria de expositores permite que o projeto aconteça e contribui diretamente para a geração de renda associada ao emprego apoiado. É uma construção coletiva em favor da inclusão”, destaca.
Inclusão além da teoria
O emprego apoiado é uma metodologia voltada à inclusão de pessoas com deficiência e neurodivergentes no mercado de trabalho. O modelo prevê acompanhamento individualizado e suporte contínuo para que o trabalhador desenvolva competências profissionais e alcance maior autonomia.
A proposta ganha relevância diante dos desafios enfrentados por adultos autistas na busca por oportunidades profissionais. Dados divulgados pelo portal Autism Speaks apontam que cerca de 85% das pessoas autistas adultas estão fora do mercado de trabalho.
Os jovens que atuarão na Fenearte passam por preparação prévia dentro das atividades desenvolvidas pelo Instituto Dimitri Andrade. A participação na feira integra um processo terapêutico e educacional que busca desenvolver habilidades sociais, comunicação, responsabilidade e independência.Além da experiência durante a Fenearte, o instituto mantém parcerias com empresas para promover a inserção de adolescentes e adultos autistas em vagas de trabalho compatíveis com seus perfis e habilidades.
Para Frínea Andrade, iniciativas desse tipo demonstram que inclusão profissional e desenvolvimento humano caminham lado a lado. “O trabalho produz impactos que vão muito além da renda. Ele favorece a socialização, fortalece a autoestima, amplia a autonomia e contribui para a qualidade de vida. Por isso, buscamos levar as terapias para além dos consultórios e criar oportunidades reais de participação social. Na Fenearte, nossos adolescentes e adultos autistas assumem o protagonismo da experiência e mostram, na prática, o potencial que possuem”, ressalta.
Foto: ASCOM Instituto Dimitri Andrade
